Cortei o cabelo, acho que vou pintar, ocorreram mudanças.
Preciso regular meu organismo e me desintoxicar.
Preciso de férias.
Preciso de tempo.
Preciso me permitir ter tudo isso.
E é isso o que vou fazer.
Hoje, 60% mais descansada, lembrei-me de comentar sobre
isso.
Além do mais, trocentas pessoas estão me perguntando sobre o ocorrido.
Antes de mais nada: eu
não conhecia os
Playboys, eles
não estavam no meu hotel e eu
não vi nada.
Tudo começou no café da manhã de sexta feira. Tomávamos nosso suquinho de maracujá com nosso pãozinho com queijo na maior tranquilidade, esperando a hora de sermos chamados para ir à praia.
Como nada nos havia sido informado até o presente momento, resolvemos perguntar para o nosso guia,
Pedro GG, qual seria o nosso destino àquela manhã.
Pedro GG, com uma cara séria jamais vista antes, abaixou-se na nossa mesa e disse em voz baixa:
"Sete playboys de Brasília pegaram um garçom na porrada ontem à noite e o cara morreu. Os nativos estão furiosos. Ninguém entra e ninguém sai do hotel até segunda ordem."
Nos entreolhamos sem saber o que dizer e sem entender direito o que estava acontecendo. Por que diabos não podiamos sair do hotel?
Bom, já que teríamos que aguardar uma 2ª ordem, não tivemos outra escolha senão a maravilhosa '
dormir'.
Chapamos na cama até a hora que alguém chegou no quarto dizendo que íamos à praia. Numa barraca mais isolada onde não tinham muitos nativos.
A princípio iriamos para a
Axé Moi, o point dos points de
Porto. Mas lá era point de nativo além de point de turista. Então nada feito.
Fomos enfim para a tal da
Barramares. O assunto das rodinhas deixou de ser
o preço absurdo da cerveja pra ser
o absurdo do crime cometido pelos 7 playboyzinhos brasilienses.
Ninguém tinha muito acesso à informações. Ninguém sabia direito o que realmente tinha acontecido. Só se sabia que os nativos estavam furiosos e queriam pegar todos os brasilienses na porrada. Os guias foram até ameaçados na praia. Algo do gênero
"Ééééé, vocês são de Brasília, né? A gente vai pegar vocês hoje a noite..."
O clima de tensão aumentou.
Voltamos pro hotel. Ainda na esperança de sair na última noite da viagem! A chance de quem ainda não tinha passado o rodo se dar bem, de tomar o último porre e de pegar os guias que, como todo mundo sabia,
não bebem, não fumam e não fodem, mas na última night seriam liberados.
Ainda naquele estado de
"o que será que está acontecendo?", tentamos ligar para nossos papais mas todas as linhas estavam congestionadas.
De repente aparece alguém no corredor gritando
"Geeeeente, todo mundo em Brasília tá sabendo!!! Saiu no DFTV!!!"
E então começou o alvoroço, todo mundo fofocando pelos cantos, tentando telefonar, todos agitados, com medo...
De repente minha mãe me ligou um tanto quanto assustada:
"Minha filha!!! O que tá acontecendo por aí??".
Acalmei-a, expliquei que eles estavam em outro hotel e tudo ficou bem.
Todo mundo terminou de se arrumar e, com as roupas mais fatais e os melhores perfumes, descemos para jantar.
No meio do frango à milanesa, alguém sai da sala de
jogos e TV e anuncia
"Irraaaa, vai passar no Jornal Nacional!!!"
Como um enxame de abelhas alvoroçadas, todo mundo entra correndo na minúscula salinha e sobe em cima da mesa de sinuca para tentar ver a TV 29 polegadas. Alarme falso. Seria depois dos comerciais.
Algumas pessoas se lembraram de que tinha TV no quarto e pra lá foram. Assim como eu.
Ao ouvir a
Fátima Bernardes narrando os fatos, percebemos que a situação era realmente grave.
Fomos convocados para uma reunião de emergência dentro do baú.
Os guias falaram que haveria a festa daquela noite e que quem quisesse ir, poderia. Mas cheio de regras e condições, uma delas era não falar que era de Brasília e teriam seguranças particulares vigiando todo mundo na festa.
Ok. Os guias descem do ônibus, ficamos lá fazendo piadinhas do tipo
"Vamos fazer uma camiseta com os seguintes dizeres: 'Sou brasiliense e odeio o ACM, vai encarar? Nativo imbecil!' "!
Daí a pouco voltam os guias e falam
"Gente, ninguém vai sair mais. A situação tá realmente punk e não queremos oferecer risco nenhum à vocês. A gente vai voltar pra Brasília amanhã de manhã, antes do horário combinado e teremos escolta policial até a saída de Porto Seguro."
Ok. Eu e mó galera já estavamos com medo e não iriamos sair mesmo.
Resolvemos ficar no hotel, fazer um churrasco, detonar as bebidas e as outras drogas que estavam sobrando e curtir a última noite
so far away from home.
E, cá pra nós, foi a melhor noite da viagem! ;)
No dia seguinte, todo mundo acordou, ou melhor, amanheceu, (ninguém dormiu de verdade essa noite), tomou café, prestou contas, entrou no baú e chapou.
Se realmente tinha escolta policial, ninguém viu. Se o ônibus tivesse sido apedrejado pelos nativos, ninguém teria acordado.
Chegamos aqui e todas as mamães checaram se os filinhos estavam bem, se não faltava nenhum pedaço... Talvez não por fora mas fígado ninguém tem mais! hehehe.
AND HELL IS JUST A SAUNA...
Voltei! Enfim, voltei!
Minha casa, meu banheiro, meu chuveiro, minha cama, meu computador, meu blog, minha conta de email, meu ICQ, minha cidade, meu pão com queijo e leite com neskau, minha vidinha urbana, meus cds... Quanta saudade!
Enfim voltei!
Com alguns quilos a mais e alguns neurônios a menos, com os ouvidos agredidos, com a pele queimada, com alguns órgãos debilitados, alguns vícios novos (de todo o tipo, desde de linguagens até musicais), novos pedestais e muitas lembranças boas!
Porto Seguro é um lugar hilário.
Uma cidade que fede a corrompção.
Onde drogas transitam livremente, onde se ouve músicas inacreditáveis, onde se vive numa marola constante, onde não se dorme e não se come, onde qualquer resistência a qualquer tipo de coisa vem acompanhada da infâme frase
"Sorria, você está na Bahia!" e onde meninas de 15 anos tomam o seu primeiro porre.
Veja bem, você sai de
Brasília pra encontrar um monte de brasilienses, paga pra ver um show d'
Os Marotos (banda daqui que faz cover de música baiana...), senta numa barraca em
Arraial D'Ajuda chamada
Calango, toma tigela de
açaí na companhia de
patolas com
bermas floridas, o único rock que se ouve é
Legião Urbana (e a tal da
Mister Jones do
Couting Crows que era o RockHype da cidade. Daqui a 5 anos chega
Hey Hey Song do
4 Non Blondes por lá...) e eis que do nada encherga-se um cartaz anunciando uma excursão à
Caldas Novas.
Resumindo: Porto Seguro é uma Brasília à Beira Mar!
Quem não foi perdeu cenas pitorescas. Algumas delas:
"Joana indo à praia de calça jeans."
"Joana tendo a bunda mordida por uma menina trêbada num quarto escuro."
"Joana aprendendo a dançar com Bam-Bam do Big Brother."
"Joana dando chiliques ao andar sobre recifes de corais."
"Joana tendo orgasmos múltiplos e epiteliais ao degustar um sanduiche do Mc Donald's."
"Joana gritando e se debatendo ao tentar se desvencilhar de um bombado sem 'peita' e de 'berma florida' no show do Terra Samba (!)."
É... Tem coisas que só a Bahia pode lhe oferecer...
Acho que vou precisar de férias dessa viagem. Um mês pra me recompor, em todos os aspectos!